CHUVA: Sobe Para 23 o Número de Cidades do Paraná Afetadas


O número de municípios do Paraná que registram estragos causados pela chuva subiu para 23. Os dados foram atualizados pela Coordenadoria Estadual da Defesa Civil às 16 horas desta quinta-feira (21). Aproximadamente 62,6 mil pessoas foram afetadas no estado.
Dez casas foram destruídas e 110 danificadas. Segundo a Defesa Civil, são 1.085 desalojadas (removidas para a casa de parentes ou amigos) e 531 pessoas desabrigadas (que tiveram que ser levadas para abrigos públicos).

A Defesa Civil informou que a cidade que concentra o maior número de desabrigados é Bandeirantes, no Norte do estado. A cidade sofre as consequências de fortes enxurradas, que afetaram mil pessoas. Destas, 695 tiveram que deixar suas casas e ir para a residência de parentes. Outras 150 estão em abrigos públicos. Em Jataizinhotambém no Norte, áreas foram alagadas, atingindo residências. Por causa disso, 240 pessoas foram desabrigadas no município e 80 casas foram danificadas.
Em Londrina, 50 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas. O prefeito da cidade, Barbosa Neto (PDT), decretou situação de emergência. A cidade sofre com alagamentos, que interditaram ruas e provocaram danos em 27 unidades escolares. Dois parques estão interditados.
Cidades
Segundo a Defesa Civil, foram afetados os seguintes municípios: Apucarana (alagamentos), Andirá (enxurradas), Arapongas (enxurradas), Bandeirantes (enxurradas), Bela Vista do Paraíso (enxurradas), Cambará (alagamentos), Cornélio Procópio (alagamentos), Godoy Moreira (enxurradas), Ibiporã (alagamentos), Jaboti (enxurradas), Jacarezinho (enxurradas), Jataizinho (alagamentos), Londrina (enxurradas), Maringá (alagamentos), Mandirituba (deslizamentos), Porecatu (enxurradas), Querência do Norte (enxurradas), Rolândia (enxurradas), Santana do Itararé (enxurradas), Santa Tereza do Oeste (alagamentos), Santo Antonio da Platina (enxurradas), Santo Inácio (enxurradas) e Sertaneja (deslizamentos). Veja o boletim completo da Defesa Civil.
Socorro
Agência Estadual de Notícias (AEN), órgão oficial de comunicação do governo no estado, divulgou, no fim da tarde desta quinta-feira, que 3,3 mil cobertores seriam doados às vítimas das chuvas. O material seria distribuído pelascoordenadorias regionais da Defesa Civil. O órgão também está atuando para providenciar roupas às famílias dos municípios atingidos.
Estradas interditadas
Estradas ainda têm bloqueios por causa da chuva. São 11 pontos de interdição em dez estradas estaduais do estado. Segundo nota da Polícia Rodoviária Estadual, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) está providenciando reparos para liberar as pistas afetadas.
A PR-458 , entre os municípios de Flórida e Atalaia, está interrompida desde a madrugada desta quinta-feira (21) por conta do transbordamento do Rio Pirapó. De acordo com informações da PRE, não há previsão para a liberação da pista.
Um dique se rompeu no km 49 da PR-431, entre Cambará e Jacarezinho, no Norte Pioneiro. Na mesma região, o Rio das Cinzas alagou, interrompendo o tráfego na PR-439, entre Santo Antonio da Platina e Ribeirão do Pinhal.
Na PR-151, também no Norte Pioneiro, há dois pontos de interdição. Um deles no km 11, entre Ribeirão Claro e Chavantes; e outro, no km 20, entre Ribeirão Claro e Carlópolis. Ambos os bloqueios foram provocados por quedas de barreira.
No Norte do Estado, um alagamento provocou a interdição da PR-450, entre Porecatu e Centenário do Sul. A PR-090 também foi bloqueada por conta do transbordamento do Lago Cabrobó, entre Londrina e Sertanópolis.
Na região Noroeste, a PR-650 tem um ponto de interdição no km 18, entre São Pedro e Godoy Moreira, por causa de alagamento de pista. Outro bloqueio na região ocorre na PR-542, entre Santo Inácio e Santa Inês. Entre Santá e Guaraci, o Rio Bandeirantes transbordou, bloqueando um ponto da PR-458.
Outra estrada interditada é a PR-092, que está bloqueada no km 84, entre Cerro Azul e Doutor Ulisses, na região metropolitana de Curitiba.

Fonte: Gazeta do Povo, seção “Vida e Cidadania”, de 21/06/2012.

Texto do TCU Fulmina Fama de Gestora de Dilma

O Tribunal de Contas da União enviou ao Congresso um relatório  que aniquila a decantada fama de boa gestora atribuída a Dilma Rousseff. O texto analisa as contas do governo referentes a 2011, primeiro ano da administração da sucessora de Lula. Aponta problemas gerenciais em vários setores do governo.
Graças à debilidade gerencial, apenas 20% das ações prioritárias previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias foram efetivamente executadas. O texto foi entregue ao presidente do Senado e do Congresso, José Sarney. Redigiu-o o ministro José Múcio Monteiro.

O mesmo José Múcio que, antes de ser alçado a uma poltrona do TCU, serviu ao governo Lula como ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Nessa época, Dilma respondia pela Casa Civil.
No pedaço do relatório dedicado à análise da qualidade dos gastos públicos, o TCU revelou um quadro preocupante. Identificou deficiências de planejamento e de monitoramento das ações do governo.
Realçou que o Orçamento da União traz na rubrica de ‘restos a pagar’ somas muito altas. Uma evidência de que a execução de projetos que deveriam ter sido implementados no ano passado foram postergados para 2012.
Sugere-se no documento que o governo faça o óbvio: municie-se de indicadores capazes de aferir com precisão a eficiência de suas ações. Recorda-se no texto que foi criado em 2010 o SIC (Sistema  de Informação de Custos). O tribunal manifesta a esperança de que a coisa funcione.
Detectaram-se problemas no ritmo de execução das obras do PAC. Por exemplo: prevista inicialmente para 2014, a conclusão de empreendimentos como a hidrelétrica de Belo Monte e o Trem-bala, foi empurrada para 2019.
Num instante em que o PIB, roído pela crise financeira internacional, clama por investimentos, o TCU constatou que os atrasos no PAC não são isolados. Na transição do PAC 1 de Lula para o PAC 2 de Dilma, reprogramaram-se os prazos. Nas obras do estratégico setor de transportes, por exemplo, houve um adiamento médio de 437 dias por ação.
Deve-se o fenômeno, na avaliação do TCU, à incapacidade do governo de gerir obras de vulto. Os projetos básicos, usados como referência nas licitações, são precários. Em consequência, as obras ficam sujeitas a revisões que esticam o cronograma e elevam os custos.
O documento do TCU apontou problemas gerenciais também nas obras da Copa-2014 –“situações não condizentes com o planejamento e os cronogramas traçados.” Afora o risco de elevação do custo dos projetos, menciona-se a possibilidade de alguns deles não serem concluídos a tempo.
O relatório anota um dado alvissareiro: até maio de 2012, a correção de erros detectados na execução das ações governamentais produziu uma economia para o Tesouro de cerca de R$ 500 milhões. O diabo é que a economia é atribuída ao esforço dos auditores do tribunal, não à prevenção do governo.
O TCU menciona ainda problemas nas concessões do setor elétrico. Mercê da falta de planejamento, ainda não foram definidas as diretrizes que nortearão a renovação de contratos que expiram em 2015. Envolvem 37 das 63 distribuidoras de energia do país. Estão em jogo 18% de toda a geração de energia elétrica do país e 84% da rede básica de transmissão.
Não é só: aponta-se a ausência de consolidação dos planos setoriais do setor de transportes. Encontram-se pendentes de conclusão o Plano Aeroviário Nacional, o Plano Nacional de Logística Portuária e o Plano Hidroviário Estratégico. Dessas iniciativas depende, no dizer do TCU, “o equilíbrio da matriz de transporte de cargas.”
Há mais: o ano de 2011 chegou ao fim sem que o governo tivesse trazido à luz os planos de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Coisas previstas na Constiuição. Na linguagem empolada do relatório, a ausência de tais planos impede o governo de agir “de forma organizada e pautada por diagnósticos e objetivos acurados, com a identificação adequada das necessidades de cada área e das ações que possam contribuir para atendê-las.”
Há pior: pelas contas do TCU, a renúncia de receita do governo cresceu em 2011 notáveis 30%. Foi à casa dos R$ 187,3 bilhões. Uma cifra que ultrapassa a soma dos gastos nas áreas de saúde, educação e asssitência social.
Tudo isso sem que o governo disponha de indicadores capazes de medir a eficiência da aplicação dos benefícios fiscais e o impacto da renúncia no crescimento da economia.
O relatório sugere à Casa Civil, hoje chefiada pela senadora licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR), que se preocupe com um detalhe adicional sempre que enviar ao Congresso projetos ou medidas provisórias que concedam novos benefícios tributários ou elevem os já existentes. Convém incluir nas propostas, ensinou o TCU, metas e indicadores que permitam avaliar os efeitos dos benefícios.
Tomado em seu conjunto, o documento do TCU converte em lero-lero eleitoral aquela pregação segundo a qual Dilma irradiaria para todo o governo a suposta genialidade gerencial que levou Lula a escolhê-la como sua candidata na sucessão de 2010.

Fonte: Site do Fábio Campana, 20/06/2012