Aborto Também Deve Ser Tema de Eleição Municipal, diz CNBB

O debate sobre aborto deve fazer parte das eleições para prefeitos e vereadores de 2012, afirmou nesta quarta-feira (18) o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Steiner. Ele disse que “deve fazer parte do debate das eleições municipais sempre aquilo que diz respeito ao direito da pessoa humana” e citou “corrupção” e “ficha limpa” entre outros temas que deveriam ser discutidos.
Um dos principais porta-vozes da CNBB, dom Leonardo é também bispo auxiliar de Brasília. Ele falou sobre a eleição no “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigue no estúdio do Grupo Folha em Brasília. 

Na entrevista, o religioso reclamou do governo da presidente Dilma Rousseff. Afirmou que a CNBB enfrenta dificuldades para atuar em algumas comissões consultivas das quais sempre participou. “Existe uma espécie de resistência, sim. De que não é muito tarefa religiosa ou uma tarefa da Igreja [opinar] em um ou outro conselho”, disse.

Dom Leonardo afirmou que o governo federal ainda não liberou os recursos necessários para obras e preparações para a visita do papa Bento 16 ao Rio no ano que vem –ele virá ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá de 23 a 28 de julho de 2013.
Sobre a queda do número de católicos no Brasil registrada pelo Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o bispo disse ter dúvidas sobre a metodologia usada na pesquisa. Os dados indicaram perda de 1,7 milhão de fiéis no período de 2000 a 2010 para a Igreja Católica. Ele afirmou que o número de sacerdotes católicos subiu de 18 mil para 22 mil nos últimos anos.
O secretário-geral da CNBB também afirmou que não acredita que o número de evangélicos ultrapasse o de católicos em algumas décadas. “Preocupa mais a Igreja Católica o número de pessoas que se dizem sem religião”, disse.
A seguir, vídeos da entrevista (rodam em smartphones e tablets). A transcrição completa do depoimento também está disponível.
Fonte: UOL Eleições 2012 de 19/07/2012 

EXEMPLO A SER SEGUIDO: Câmara de Cascavel Exonera Servidores Fichas-Sujas

A Câmara de Vereadores de Cascavel, no Oeste do Paraná, decidiu exonerar quatro servidores contratados nos chamados cargos de confiança após o MP (Ministério Público) cobrar a demissão dos assessores considerados “fichas-sujas”, por terem contra eles condenações criminais. Eles já foram julgados e condenados por crimes como latrocínio, homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de armas, roubo e formação de quadrilha.

As portarias com as exonerações foram publicadas na edição desta quarta-feira (18) do Diário Oficial do Município de Cascavel. Os quatro assessores estavam lotados nos gabinetes do presidente do Legislativo, Marcos Damasceno (PDT) e dos vereadores Gilmar Gaitkoski (PSL), Marcos Rios (PDT) e Paulo Bebber (PR).
O procurador jurídico da Câmara, Pascoal Muzeli Neto, disse que os assessores foram demitidos com base em um dispositivo do Estatuto do Servidor que proíbe a contratação de pessoas condenadas pela Justiça. O artigo 16 do Estaudo diz que “não poderá ser nomeado para cargo público municipal, independentemente da aprovação em concurso público, aquele que houver sido condenado por furto, roubo, abuso de confiança, falência fraudulenta, falsidade ideológica,ou crime cometido contra a ecologia, contra a administração pública ou a defesa nacional”.
Muzeli Neto admite que a lei não foi levada em consideração na hora da contratação, mas que, agora, será observada rigorosamente. “Eu particularmente nem sabia da existência da ficha [suja] desses funcionários. Com a investigação [do Ministério Público], resolvemos nos antecipar”.
Ele defende a reformulação do estatuto para garantir que pessoas que pagaram pelos crimes cometidos possam ingressar no serviço público. “Acho que os condenados na Justiça não devem estar no serviço público, mas aqueles que cumpriram pena devem ser reinseridos na sociedade, ter uma nova oportunidade  de emprego”, avalia.
Segundo ele, não adianta o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) realizar campanhas para que empresas privadas concedam oportunidades  para ex-detentos, se eles são excluídos no serviço público. Em 2011, o CNJ lançou o programa “Começar de Novo”, com o objetivo de reinserir os ex-apenados no mercado de trabalho e, dessa forma, servir como estratégia para a redução da criminalidade.
Outro lado
Os vereadores foram procurados pela reportagem nesta quarta-feira, antes da exoneração dos servidores. A maioria saiu em defesa dos assessores. Bebber disse ter praticado “um bem, ressocializando um cidadão”. Damasceno afirmou que “toda a pessoa tem direito à reintegração ao trabalho”. Gaitkoski disse que não poderia opinar porque ainda não conhecia o conteúdo da ação. Rios informou que não sabia da condenação de seu assessor e que irá demiti-lo, se a Justiça determinar a exoneração.

Fonte: Gazeta do Povo, de 18/07/2012