Novo Movimento Quer Combater a Corrupção

ENTREVISTA

Jairo Cruz Moreira, Promotor de Justiça

O Movimento Paraná sem Corrupção foi lançado pelo Ministério Público (MP) ontem. Segundo o promotor Jairo Cruz Moreira, coordenador nacional da campanha “O que você tem a ver com a corrupção?”, um dos principais objetivos é aproximar o cidadão do MP. A iniciativa estadual faz parte de uma parceria entre o MP, a Secretaria de Estado da Educação e o Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM). Em entrevista à Gazeta do Povo, Moreira explicou quais serão as ações e como vai funcionar o movimento no estado.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

Atividades
Primeiras palestras acontecem em escolas no mês de agosto
As primeiras atividades do movimento começam a ser desenvolvidas em agosto e setembro, com palestras. Os promotores que se disponibilizarem a participar da campanha irão até as escolas com o objetivo de promover debates com os alunos a partir de 16 anos, professores e diretores das escolas públicas. De acordo com Jairo Cruz Moreira, o objetivo é conscientizar a população a aderir a uma cultura participativa baseada em valores éticos. A expectativa a curto prazo é reverter as discussões em votos conscientes para as eleições municipais deste ano.
Como surgiu a iniciati­­­va e qual é a principal proposta?
A campanha foi abraçada, em 2008, pelo Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais, que é formado pelos chefes dos Ministérios Públicos no Brasil. Em cada  estado há um coordenador do movimento. E os pontos fundamentais da iniciativa são firmar o MP como órgão de encaminhamento de denúncias, investigação e processamento de medidas judiciais em relação a corruptos e corruptores e aproximar a instituição da sociedade.
O movimento se baseou em outras iniciativas nacionais?
Na nossa campanha elegemos como tema do ano o “voto consciente”. É importante por estarmos prestes a agir nos municípios [em ano de eleição].
Qual o plano de trabalho do movimento?
Primeiro é aumentar a participação dos promotores nesse movimento, independente do campo de atribuição. Outra meta é o incremento de parcerias; e, ainda, ações uniformes que divulgam o movimento por todo Brasil.
O movimento pretende atingir qual faixa etária. Vai atuar só em anos de eleição?
Pretendemos falar com pessoas acima de 16 anos, [possíveis] votantes. Serão 2,5 mil escolas, atingindo 1,3 milhão de estudantes. O movimento é perene.
Como funcionará nas escolas?
Os promotores irão falar com alunos, diretores, professores. Alguns locais estão desenvolvendo até concursos de frases, como ocorreu em Uberaba (MG), em que dez mil alunos participaram da atividade. Vai muito da peculiaridade e da fertilidade das parcerias locais.
Por que as escolas são os primeiros alvos do movimento?
Porque partindo das escolas há uma tendência de que o movimento seja agregado aos jovens, que possibilitam grandes mudanças na mentalidade e na prática cultural, fomentando a cidadania efetiva.
O que poderia ser feito para a população se envolver com a iniciativa?
Além de fiscalizar e participar, essa campanha parte de pequenas ações. Levar vantagens em determinados momentos, como não devolver o troco, falsificar o ponto no trabalho, furar fila. Não se deve banalizar as pequenas atitudes que podem corresponder aos desvios de amanhã. É dar poder ao cidadão e chamá-lo para a reflexão de se fazer o controle social.
E como motivar as pessoas a combaterem a corrupção?
Isso depende de conscientização. A corrupção gera uma perda do PIB brasileiro de 3% a 5% e, quando se trata desse assunto, estamos preocupados com as gerações futuras, para quem nós vamos deixar o planeta. Por isso, o movimento vem sendo divulgado nas redes sociais e no site oficial, o que irá facilitar o encaminhamento de denúncias.
O movimento irá alcançar outros setores?
Sim, por exemplo, temos parcerias com a Controladoria-Geral da União (CGU), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Observatório da Corrupção. O objetivo é formar uma rede de parceiros para que o movimento se legitime.
E as atividades em longo prazo?
A proposta é combater a corrupção nas eleições [deste ano]. E, para os próximos anos, desenvolver valores éticos e de cultura participativa, além de controlar escândalos que podem acontecer . O MP deve receber denuncias, investigar, oferecer ações penais. É trazer o cidadão para uma instituição incumbida de defender seus interesses.


Fonte: Gazeta do Povo de 21/07/2012