CRESCE A JUDICIALIZAÇÃO DOS PLANOS DE SAÚDE


**Por João Luiz Agner Regiani

Nos chama a atenção na área da saúde suplementar a questão relacionada à sua judicialização. Para que o leitor entenda do que se trata a tal judicialização, nada mais é do que situações em que o consumidor se vê obrigado a recorrer ao Poder Judiciário para solucionar impasses ou conflitos existentes com as operadoras de saúde por diversos motivos, como por exemplo, reajustamentos abusivos nas mensalidades dos planos, negação de coberturas pelas operadoras, dentre outros.

Para se ter uma idéia da gravidade da judicialização na área da saúde suplementar do país, de acordo com um estudo encomendado no primeiro semestre deste ano pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER), sobre “direito à saúde” apontou que na primeira instância judicial, houve um crescimento de aproximadamente 130% no ajuizamento de ações judiciais entre 2008 e 2017, e em segunda instância, um aumento de 85% no mesmo período.

Em outras palavras, além de o consumidor ser obrigado a ter que recorrer ao sistema de saúde suplementar para ver atendidas as suas necessidades de saúde diante do caos que é o SUS no país, ainda se vê exposto em larga escala a ter que recorrer ao Poder Judiciário para que o seu atendimento se dê em conformidade com a lei.

Este quadro além de preocupante expõe, acima de tudo, a ineficiência com que tem atuado o órgão regulador do setor, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é quem devia zelar e atuar com eficácia para que as operadoras de saúde cumpram a lei e não permitir as abusividades que estas cometem e que cotidianamente são denunciadas pelos consumidores e pela imprensa.

Para se ter uma idéia, um dos problemas que mais tem levado consumidores a recorrerem à Justiça, diz respeito à negação de coberturas pelos planos, muitas vezes já definidas pela ANS como devidas e maliciosamente sonegadas pelas operadoras mediante redações obscuras ou imprecisas de cláusulas contratuais que repetitivamente constam dos contratos e que a ANS não monitora de modo eficiente quanto aos seus conteúdos e aplicação prática.

O governo federal precisa urgentemente atuar para mudar este quadro e fazer com que a sua reguladora no setor passe a agir de modo dinâmico e eficaz na defesa dos consumidores. Do jeito que está não dá para ficar.

CORRENTE DO BEM DOS CONSUMIDORES

Na correria do dia a dia muitas vezes não paramos para pensar sobre toda a carga de exemplos e modelos de condutas que transferimos para os nossos filhos e para quem convive conosco.

No dia a dia refletimos sobre os demais, e especialmente sobre aqueles com quem convivemos  no ambiente familiar, inspirações e exemplificações de como proceder em relação ao mundo e às coisas, tanto que os filhos desde pequenos replicam atitudes, maneiras de se expressar e costumes exemplificados pelos país. O ser humano copia modos e maneiras de agir.

Neste contexto, paramos para refletir que podemos estar disseminando no ambiente doméstico e social em que convivemos, hábitos e maneiras, como consumidores, que produzem efeitos de replicação sobre outras pessoas?? Sim, isto certamente está acontecendo no nosso dia a dia e minuto a minuto do nosso dia.

Portanto, quando tenho abordado sobre a necessidade de contermos o nosso ímpeto no mercado de consumo a fim de evitamos o consumo por impulso e o endividamento, de certo modo isto também
se prestaria a inspirar nas demais pessoas  maior reflexão sobre o ato de consumir.

No entanto, as nossas experiências quanto a contenção ao consumo desnecessário ou comportamento comedido no mercado de consumo, se se der de modo escondido ou em silêncio não gerará o efeito replicante ou exemplificaste (!!!) que poderia ajudar outras pessoas a utilizarem nosso exemplo de comedimento a lhe inspirar hábitos consumeristas saudáveis.

Como consumidores somos uma massa de pessoas que pode e deve se ajudar e inspirar mutuamente para mudar hábitos consumeristas ou tornar mais saudáveis o ato adquirir produtos ou serviços no mercado de consumo. Em outras palavras, devemos partilhar as nossas experiências saudáveis de consumo a fim de auxiliarmos na modelagem do mercado direcionando-o respeitar mais os consumidores e a entender que o investimento massivo em propagandas estimuladoras do consumo desregrado ou impensado já não produz mais efeitos como antes.

Esta mudança de cultura e a utilização da corrente consumerista do bem em favor dos próprios consumidores só depende de nós. Fica a dica.