
A taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia, historicamente nunca esteve tão baixa, estando atualmente em 2%. É justamente esta taxa, definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que serve como parâmetro para a fixação de juros ao consumidor para compras à prazo, utilização do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito.
A pergunta que naturalmente se faz é: por que o consumidor continua pagando altos juros aos bancos se a taxa Selic está historicamente tão baixa? Dentre os fatores que levam a isto e que não é de fácil compreensão às pessoas, é que o custo das operações de crédito ao consumidor continua sendo calculado pelos bancos considerando o alto risco de inadimplência de pagamento diante da persistência dos índices elevados de endividamento geral e da elevada inadimplência ou impontualidade no pagamento de dívidas pelos consumidores.
No mercado financeiro de crédito os índices gerais de inadimplência servem como termômetro dos riscos de não recebimento, pelos bancos, dos créditos concedidos às pessoas, sendo que na linguagem financeira “risco”, para ser corrido pelas instituições financeiras, tem preço, custo, o que tecnicamente é considerado pelos bancos como um dos motivos para os juros finais aos consumidores nas operações de crédito não serem diminuidos; além de haver uma resistência muito grande dos bancos em diminuirem os seus ‘spreads’ financeiros, que são os percentuais de lucro dos bancos sobre as operações de crédito de qualquer natureza.
“Perdeu-se muito tempo com ativismos ideológicos sem que estas questões, que realmente interessam às economias das pessoas fossem enfrentadas”
Para atuar no sentido de forçar os bancos a diminuírem os juros ao consumidor o governo federal deve atuar fortemente em duas frentes: primeiro, melhorar as condições da economia para geração de empregos, diminuindo, assim, o desemprego e, por consequência, a inadimplência de dívidas; e ainda, por segundo, aprimorar progressivamente a legislação federal que possibilita a criação das denominadas ‘fintechs’ financeiras, que poderão atuar oficialmente como pequenos bancos de crédito competindo com as grandes instituições financeiras com ofertas competitivas de crédito ao consumidor mediante juros menores.
Perdeu-se muito tempo com ativismos ideológicos sem que estas questões, que realmente interessam às economias das pessoas fossem enfrentadas e agora cabe ao governo não deixar passar a oportunidade de se criar novos marcos para o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro do país em benefício do cidadão brasileiro e da economia nacional.