MOTIVOS QUE AFASTAM AS EMPRESAS DO CRÉDITO SAUDÁVEL

Evento “Bancos Nacionais de Desenvolvimento e Bancos Verdes”, promovido pelo BID em 2017 na Cidade do México, capital do México.

*** Por João Luiz Agner Regiani

No curso da nossa atuação profissional dialogamos bastante com os empreendedores e os setores financeiros das suas empresas, a fim de realizar a análise do perfil econômico-financeiro dos seus negócios.

Este tipo de análise é de suma importância para se saber sobre a capacidade de endividamento, geração de caixa, dentre outros aspectos econômicos e contábeis das empresas que são importantes para a verificação das suas aptidões para a tomada de crédito no mercado financeiro.

Sabemos que no mercado financeiro existem bancos mistos, de perfil concomitante comercial e de fomento (por exemplo, Banco do Brasil), que oferecem linhas de financiamentos para capital de giro, aquisição de equipamentos, crédito agrícola, etc, tal como também disponibilizam os bancos exclusivamente de fomento, como o BRDE, Fomento Paraná e o BNDES.

No entanto, quando constatamos o método de amortização, custos dos financiamentos e a imposição de “venda casada” de produtos bancários (seguros, previdência privada, etc) utilizados pelos referidos bancos mistos, comparativamente com os menores custos e melhores métodos utilizados pelos bancos exclusivamente de fomento, chegamos à fácil conclusão de que, quando é possível, devemos indicar à empresa a busca por fontes de recursos para a execução dos seus projetos e custeios junto aos bancos exclusivamente de fomento (BRDE, BNDES e Fomento Paraná), os quais não são vorazes na busca por lucros sobre as suas operações financeiras e efetivamente se preocupam em não exaurir a capacidade financeira das empresas.

Para que a empresas possam tomar crédito nestas instituições de fomento, no entanto, há a necessidade de que estas estejam organizadas contabilmente, com balanços e gestões financeiras “nas pontas dos cascos”, ou seja, de modo tecnicamente adequado, uma vez que como os bancos de fomento não abrigam as contas bancárias dos empreendimentos pretendentes ao crédito e, portanto, desconhecem o seu real fluxo financeiro, será justamente por meio de demonstrações e análises contábeis e econômico-financeiras que tomarão a decisão de conceder ou não o crédito pretendido.

Justamente neste contexto é que temos nos deparado com algumas das maiores barreiras para que empresas potencialmente aptas a tomar crédito não consigam sucesso nas suas operações junto ao BRDE, BNDES ou Fomento Paraná, qual seja: a ausência de gestão contábil e financeira adequadas às regras que o mercado financeiro impõe à concessão do crédito de fomento.

Para se ter uma breve ideia do prejuízo que isto vem causando a muitos empreendimentos que se encontram nesta situação, basta a constatação de quando a empresa deixa de reunir condições técnicas de tomar crédito junto aos bancos genuinamente de fomento, tendo, por isso, que recorrer a bancos comerciais, acaba pagando entre 10% a 25% mais caro no montante final do respectivo financiamento, fazendo com que a empresa seja submetida à exaustão financeira e a constante necessidade de ampliação do seu endividamento, até que o colapso financeiro absoluto se apresente inexoravelmente.

Diante deste cenário temos orientado os empreendedores buscarem, sempre, segundas ou, até, terceiras opiniões técnicas sobre a qualidade da gestão econômica, financeira e contábil que está sendo realizada no seu negócio junto a consultorias que realmente conheçam o mercado financeiro e que seja especializadas a saber como ele “pensa”, de modo a viabilizar condições de tomarem créditos menos onerosos e mais saudáveis aos seus empreendimentos no mercado financeiro de fomento.

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