BLOG

Paraguay: Espera-se Agora Uma Tríplice Aliança do Bem

MESSIAS MENDES

O Brasil, a Argentina e o Uruguai estão diante de uma oportunidade histórica de se redimirem um pouco daquela vergonhosa Tríplice Aliança de 1864, quando se uniram para aniquilar o Paraguai de Solano Lopes.
Contribuir com a população pobre do Paraguai para abortar o golpe de estado de sexta-feira seria um resgate da dignidade latino-americana, ferida de morte no século XIX e agora afrontada pelo fantasma de um certo general Alfredo Stroessner.
As presidentes da Argentina e do Brasil, Cristina Kirchner e Dilma Rousseff vão estar reunidas na terça-feira próxima em Mendoza com o presidente uruguaio José Mujica. Os três já deram declarações de condenação à deposição de Fernando Lugo.
Fonte: Blog do Messias Mendes, O Diário, 23/06/2012

CHUVA: Sobe Para 23 o Número de Cidades do Paraná Afetadas


O número de municípios do Paraná que registram estragos causados pela chuva subiu para 23. Os dados foram atualizados pela Coordenadoria Estadual da Defesa Civil às 16 horas desta quinta-feira (21). Aproximadamente 62,6 mil pessoas foram afetadas no estado.
Dez casas foram destruídas e 110 danificadas. Segundo a Defesa Civil, são 1.085 desalojadas (removidas para a casa de parentes ou amigos) e 531 pessoas desabrigadas (que tiveram que ser levadas para abrigos públicos).

A Defesa Civil informou que a cidade que concentra o maior número de desabrigados é Bandeirantes, no Norte do estado. A cidade sofre as consequências de fortes enxurradas, que afetaram mil pessoas. Destas, 695 tiveram que deixar suas casas e ir para a residência de parentes. Outras 150 estão em abrigos públicos. Em Jataizinhotambém no Norte, áreas foram alagadas, atingindo residências. Por causa disso, 240 pessoas foram desabrigadas no município e 80 casas foram danificadas.
Em Londrina, 50 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas. O prefeito da cidade, Barbosa Neto (PDT), decretou situação de emergência. A cidade sofre com alagamentos, que interditaram ruas e provocaram danos em 27 unidades escolares. Dois parques estão interditados.
Cidades
Segundo a Defesa Civil, foram afetados os seguintes municípios: Apucarana (alagamentos), Andirá (enxurradas), Arapongas (enxurradas), Bandeirantes (enxurradas), Bela Vista do Paraíso (enxurradas), Cambará (alagamentos), Cornélio Procópio (alagamentos), Godoy Moreira (enxurradas), Ibiporã (alagamentos), Jaboti (enxurradas), Jacarezinho (enxurradas), Jataizinho (alagamentos), Londrina (enxurradas), Maringá (alagamentos), Mandirituba (deslizamentos), Porecatu (enxurradas), Querência do Norte (enxurradas), Rolândia (enxurradas), Santana do Itararé (enxurradas), Santa Tereza do Oeste (alagamentos), Santo Antonio da Platina (enxurradas), Santo Inácio (enxurradas) e Sertaneja (deslizamentos). Veja o boletim completo da Defesa Civil.
Socorro
Agência Estadual de Notícias (AEN), órgão oficial de comunicação do governo no estado, divulgou, no fim da tarde desta quinta-feira, que 3,3 mil cobertores seriam doados às vítimas das chuvas. O material seria distribuído pelascoordenadorias regionais da Defesa Civil. O órgão também está atuando para providenciar roupas às famílias dos municípios atingidos.
Estradas interditadas
Estradas ainda têm bloqueios por causa da chuva. São 11 pontos de interdição em dez estradas estaduais do estado. Segundo nota da Polícia Rodoviária Estadual, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) está providenciando reparos para liberar as pistas afetadas.
A PR-458 , entre os municípios de Flórida e Atalaia, está interrompida desde a madrugada desta quinta-feira (21) por conta do transbordamento do Rio Pirapó. De acordo com informações da PRE, não há previsão para a liberação da pista.
Um dique se rompeu no km 49 da PR-431, entre Cambará e Jacarezinho, no Norte Pioneiro. Na mesma região, o Rio das Cinzas alagou, interrompendo o tráfego na PR-439, entre Santo Antonio da Platina e Ribeirão do Pinhal.
Na PR-151, também no Norte Pioneiro, há dois pontos de interdição. Um deles no km 11, entre Ribeirão Claro e Chavantes; e outro, no km 20, entre Ribeirão Claro e Carlópolis. Ambos os bloqueios foram provocados por quedas de barreira.
No Norte do Estado, um alagamento provocou a interdição da PR-450, entre Porecatu e Centenário do Sul. A PR-090 também foi bloqueada por conta do transbordamento do Lago Cabrobó, entre Londrina e Sertanópolis.
Na região Noroeste, a PR-650 tem um ponto de interdição no km 18, entre São Pedro e Godoy Moreira, por causa de alagamento de pista. Outro bloqueio na região ocorre na PR-542, entre Santo Inácio e Santa Inês. Entre Santá e Guaraci, o Rio Bandeirantes transbordou, bloqueando um ponto da PR-458.
Outra estrada interditada é a PR-092, que está bloqueada no km 84, entre Cerro Azul e Doutor Ulisses, na região metropolitana de Curitiba.

Fonte: Gazeta do Povo, seção “Vida e Cidadania”, de 21/06/2012.

Texto do TCU Fulmina Fama de Gestora de Dilma

O Tribunal de Contas da União enviou ao Congresso um relatório  que aniquila a decantada fama de boa gestora atribuída a Dilma Rousseff. O texto analisa as contas do governo referentes a 2011, primeiro ano da administração da sucessora de Lula. Aponta problemas gerenciais em vários setores do governo.
Graças à debilidade gerencial, apenas 20% das ações prioritárias previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias foram efetivamente executadas. O texto foi entregue ao presidente do Senado e do Congresso, José Sarney. Redigiu-o o ministro José Múcio Monteiro.

O mesmo José Múcio que, antes de ser alçado a uma poltrona do TCU, serviu ao governo Lula como ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Nessa época, Dilma respondia pela Casa Civil.
No pedaço do relatório dedicado à análise da qualidade dos gastos públicos, o TCU revelou um quadro preocupante. Identificou deficiências de planejamento e de monitoramento das ações do governo.
Realçou que o Orçamento da União traz na rubrica de ‘restos a pagar’ somas muito altas. Uma evidência de que a execução de projetos que deveriam ter sido implementados no ano passado foram postergados para 2012.
Sugere-se no documento que o governo faça o óbvio: municie-se de indicadores capazes de aferir com precisão a eficiência de suas ações. Recorda-se no texto que foi criado em 2010 o SIC (Sistema  de Informação de Custos). O tribunal manifesta a esperança de que a coisa funcione.
Detectaram-se problemas no ritmo de execução das obras do PAC. Por exemplo: prevista inicialmente para 2014, a conclusão de empreendimentos como a hidrelétrica de Belo Monte e o Trem-bala, foi empurrada para 2019.
Num instante em que o PIB, roído pela crise financeira internacional, clama por investimentos, o TCU constatou que os atrasos no PAC não são isolados. Na transição do PAC 1 de Lula para o PAC 2 de Dilma, reprogramaram-se os prazos. Nas obras do estratégico setor de transportes, por exemplo, houve um adiamento médio de 437 dias por ação.
Deve-se o fenômeno, na avaliação do TCU, à incapacidade do governo de gerir obras de vulto. Os projetos básicos, usados como referência nas licitações, são precários. Em consequência, as obras ficam sujeitas a revisões que esticam o cronograma e elevam os custos.
O documento do TCU apontou problemas gerenciais também nas obras da Copa-2014 –“situações não condizentes com o planejamento e os cronogramas traçados.” Afora o risco de elevação do custo dos projetos, menciona-se a possibilidade de alguns deles não serem concluídos a tempo.
O relatório anota um dado alvissareiro: até maio de 2012, a correção de erros detectados na execução das ações governamentais produziu uma economia para o Tesouro de cerca de R$ 500 milhões. O diabo é que a economia é atribuída ao esforço dos auditores do tribunal, não à prevenção do governo.
O TCU menciona ainda problemas nas concessões do setor elétrico. Mercê da falta de planejamento, ainda não foram definidas as diretrizes que nortearão a renovação de contratos que expiram em 2015. Envolvem 37 das 63 distribuidoras de energia do país. Estão em jogo 18% de toda a geração de energia elétrica do país e 84% da rede básica de transmissão.
Não é só: aponta-se a ausência de consolidação dos planos setoriais do setor de transportes. Encontram-se pendentes de conclusão o Plano Aeroviário Nacional, o Plano Nacional de Logística Portuária e o Plano Hidroviário Estratégico. Dessas iniciativas depende, no dizer do TCU, “o equilíbrio da matriz de transporte de cargas.”
Há mais: o ano de 2011 chegou ao fim sem que o governo tivesse trazido à luz os planos de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Coisas previstas na Constiuição. Na linguagem empolada do relatório, a ausência de tais planos impede o governo de agir “de forma organizada e pautada por diagnósticos e objetivos acurados, com a identificação adequada das necessidades de cada área e das ações que possam contribuir para atendê-las.”
Há pior: pelas contas do TCU, a renúncia de receita do governo cresceu em 2011 notáveis 30%. Foi à casa dos R$ 187,3 bilhões. Uma cifra que ultrapassa a soma dos gastos nas áreas de saúde, educação e asssitência social.
Tudo isso sem que o governo disponha de indicadores capazes de medir a eficiência da aplicação dos benefícios fiscais e o impacto da renúncia no crescimento da economia.
O relatório sugere à Casa Civil, hoje chefiada pela senadora licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR), que se preocupe com um detalhe adicional sempre que enviar ao Congresso projetos ou medidas provisórias que concedam novos benefícios tributários ou elevem os já existentes. Convém incluir nas propostas, ensinou o TCU, metas e indicadores que permitam avaliar os efeitos dos benefícios.
Tomado em seu conjunto, o documento do TCU converte em lero-lero eleitoral aquela pregação segundo a qual Dilma irradiaria para todo o governo a suposta genialidade gerencial que levou Lula a escolhê-la como sua candidata na sucessão de 2010.

Fonte: Site do Fábio Campana, 20/06/2012 

Conheça os Golpes Mais Populares no Facebook e no Twitter

Maioria dos links e aplicativos maliciosos tentam forçar usuários a “curtir” páginas na rede  social para roubar dados pessoais ou vender produtos falsos.

Claudia Tozetto , enviada a San Francisco |
Com quase 1 bilhão de usuários conectados, o Facebook se tornou um dos alvos prediletos dos cibercriminosos para disseminar links e aplicativos maliciosos. Apesar do alcance menor, o Twitter também figura  entre as redes sociais mais usadas para golpes virtuais. Novos dados da Symantec, apresentados durante evento da empresa em San Francisco, mostram que mais de 10,4 milhões de golpes virtuais por meio de redes sociais foram detectados entre maio de 2011 e maio de 2012 em todo o mundo.
Os ataques por meio de redes sociais aumentaram, de acordo com Gerry Egan, diretor de gestão de produtos da Symantec, porque a disseminação é mais rápida por meio destes sites. “Os usuários clicam porque confiam no amigo que publicou o link automaticamente após cair no golpe”, diz Egan. 
Por conta do nível de confiança entre os usuários, a maioria dos ataques “viraliza” em poucos dias. 

Um exemplo é um golpe brasileiro no Facebook que oferece links como “Mude a cor do seu perfil” para roubar dados de acesso e se disseminou na rede social em poucos dias. Detectado pela empresa de antivírus Kaspersky, este golpe é utilizado por cibercriminosos brasileiros para controlar o perfil dos usuários e vender pacotes de “likes” para empresas por até R$ 3,6 mil.
Links maliciosos
No ranking de golpes virtuais por meio de sites de relacionamento, o primeiro lugar fica com os ataques compartilhados manualmente. Os cibercriminosos criam perfis falsos em redes sociais e adicionam centenas de usuários como amigos. Depois de aceitos por boa parte das pessoas, eles começam a publicar mensagens com links para promoções ou para assistir vídeos exclusivos. No período analisado pela Symantec foram registrados 5,4 milhões de ataques deste tipo em redes sociais.

“Ao acessar a página maliciosa, o usuário é orientado a clicar no botão ‘Curtir’ para ver o vídeo e compartilha o golpe com os amigos”, diz Nishant Doshi, arquiteto de tecnologia de segurança da Symantec.

Falso captcha
Em segundo lugar aparece um novo tipo de golpe, usado para obrigar o usuário a “curtir” uma página, sem saber. Ao clicar em um link que indica um vídeo exclusivo, por exemplo, o internauta é levado a uma página com um código do tipo “captcha”, geralmente usado para confirmar se uma pessoa ou um robô está acessando o site. Neste ponto, o usuário pode se arrepender de ter acessado o link, mas ao clicar em qualquer local, terá curtido a página.

“Trata-se de uma camada de software desenvolvida com base na API do Facebook que interpreta o clique em qualquer local como um ‘curtir’”, explica Doshi. Em alguns golpes, os cibercriminosos coletam “likes” até mesmo se o usuário tentar fechar o navegador após entrar na página maliciosa.
Outro tipo de ataque similar, segundo a Symantec, usa o captcha para induzir o usuário a publicar um comentário em sua página junto com o link falso. Na página, o internauta digita as letras da imagem mostrada na tela e forma adjetivos como “Impressionante” ou “Legal”. Depois, uma mensagem automática é publicada no perfil. “Neste caso, eles também usam uma camada de software, mas em vez do botão ‘Curtir’ usam a caixa de comentários”, diz Doshi.
Problemas da web
Entre os outros golpes mais populares durante o último ano, a Symantec também aponta os links para páginas que pedem que o internauta copie e cole um trecho de código javascript na barra de pesquisa do navegador. Ao executar este código, o cibercriminoso pode disparar mensagens por meio do perfil do usuário, sem o seu consentimento. A instalação de plug-ins (complementos) no navegador continua em alta, assim como a venda falsa de produtos.



A culpa pelo crescimento do número de ataques, segundo a Symantec, não é do Facebook, apesar de os cibercriminosos usarem, em alguns golpes, as interfaces de programação de aplicativos (APIs) fornecidas pela rede social. “É um problema genérico da web. Essas APIs podem ser colocadas em qualquer lugar e, por isso, é fácil criar aplicações ilegítimas”, diz Doshi.




Fonte: Site IG, 20/06/2012

"Greenpeace Diz Que Rascunho do Documento da Rio+20 é ‘Um Fracasso Épico’

Em nota, organização afirma que somente o Plano de Resgate dos Oceanos no texto apresentado é sensato

RIO — O Greenpeace divulgou, na manhã de hoje, uma nota sobre a falta de conclusões no trabalho dos negociadores durante a madrugada desta terça-feira. A ONG ataca o rascunho apresentado pelo governo brasileiro e acredita que a Rio+20 não trará mais boas notícias para a comunidade internacional.


Em nota, o diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Internacional, Daniel Mittler, que acompanha os trabalhos no Riocentro, disse que “A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. A conferência falhou em termos de equidade, de ecologia e de economia. Prometeram-nos ‘o futuro que queremos’, mas agora seremos unicamente uma máquina poluidora que vai cozinhar o planeta, esvaziar os oceanos e destruir as florestas tropicais. (…) A única coisa sensata que estava na mesa de negociações até ontem à noite foi o lançamento de um Plano de Resgate dos Oceanos para as águas em alto mar. Mas isso também foi derrubado pelos Estados Unidos, Canadá, Rússia e Venezuela, que querem explorar os mares visando o lucro privado, apoiados na impunidade e na extinção dos recursos que pertencem a toda a humanidade.”
No Rio, o diretor-executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, também criticou o documento, afirmando que houve um retrocesso.
— Os governos jogaram fora todas as metas, que já eram poucas e pouco ambiciosas — reforçou.
(Fonte: Site O Globo, 19/06/2012).

OBS DO BLOG: E só de pensar que o dinheiro do contribuinte maringaense foi destinado para um evento (Rio+20) que já se percebia antecipadamente que não ía nos levar a lugar nenhum e que já se sabia que não resultaria em nada que justificasse o “elástico” afastamento do prefeito Silvio Barros do cargo por 100 dias.

ENSINO: “É Preciso Resgatar a Alma da Escola”

ENTREVISTA

Com João Malheiro, mestre e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor do livro Fortalecendo a alma da escola
Governantes e escolas estão muito preocupados com dados e estatísticas e se esqueceram do mais importante: a aprendizagem de excelência. O alerta é do mestre e doutor em Educação João Malheiro,  quedefende ser possível reverter esse quadro. Basta um comprometimento maior das instituições de ensino, dos pais e professores. Acompanhe os principais trechos da entrevista dada pelo educador à Gazeta do Povo

O senhor concorda com a estrutura da escola de hoje?
A escola como está estruturada hoje não contribui para a educação e nem para a realização das pessoas. Os nossos índices de qualidade são vergonhosos, ainda mais se comparados com outros países. E há ainda outro aspecto. Um estudo feito com jovens profissionais de sucesso no Rio de Janeiro mostra que, apesar do dinheiro e dos meios materiais que possuem, há um alto índice de insatisfação nas suas vidas. Por que isso acontece? Porque governo, pais, instituições e professores estão mais preocupados com o aspecto material das escolas – dados e estatísticas – e se esqueceram da “alma” da escola. Se se considera que uma criança vai para a escola só para passar no Enem, no vestibular, para conseguir emprego, é muito pouco, muito pobre. Os alunos têm de ir à escola para aprender e se transformarem em pessoas melhores.
Isso não seria um problema dos pais? Qual seria a solução?
A educação só funciona quando família, professores e alunos estão falando a mesma linguagem. Hoje vivemos um forte problema ético, não estão todos na mesma direção. A mãe fala uma coisa, o pai outra, a professora outra e a televisão outra. A criança fica em um estado de choque violento e sofre com essa desorientação. Além disso, muitos pais não sabem ser pais. Estão perdidos. A maioria delega às instituições de ensino a educação dos filhos. A escola, há 20 anos, assumiu essa responsabilidade. Hoje, depois de sentir o peso da tentativa de educar sem a ajuda dos pais, desistiu. Então, quem está educando? A mídia. A solução, repito, passa por um comprometimento maior das instituições de ensino, dos pais e professores.
O governo tem ajudado a melhorar essa situação?
O governo não está muito interessado na educação de excelência. Ele quer números, estatísticas, passar para o próximo governo dando bons dados e índices. Isso é manipular a imagem da educação. No fundo, não há educação. Os ministros não estão preocupados com os alunos. A Teoria de Resposta ao Item [TRI] usada na avaliação do Enem, por exemplo, é interessante do ponto de vista de estatística, mas o seu uso em uma prova nacional é de alto risco. As notas ficam disfarçadas e, no fundo, todos são avaliados em uma grande mediocridade. A solução para mim – que é contrária à ideologia do governo atual – seria a de aumentar a autonomia das escolas, com métodos mais eficientes de fiscalização do ensino, como é feito em outros países, como os Estados Unidos. Isso permitiria também uma maior interação de pais e professores e a consequente melhoria da educação.
Nesse cenário, as novas tecnologias ajudam?
Os estudos indicam que os bons alunos, com ou sem computador, sempre são bons. No caso dos maus alunos, esses novos meios tecnológicos de fato ajudam para a aquisição de conhecimento. Mas isso não significa que estejam aprendendo. Só se pode dizer que o aluno aprendeu quando ele não só retém informações como é capaz de refletir sobre elas, torná-las próprias, olhá-las com espírito crítico. E, nesta fase, não há nenhuma tecnologia do mundo que consiga os resultados alcançados com horas de estudo, lição de casa, trabalho sério feito com os amigos, processo de repetição de exercícios e a boa decoreba, que tem de existir sempre. A má decoreba é quando o garoto decora uma série de coisas sem significado para passar em uma prova. A boa decoreba é quando os conhecimentos ajudam a criar uma estrutura mental sólida e criativa. Todo bom aluno tem na memória uma série de informações que usa para o resto da vida. Muitos jovens estão vazios de conteúdo, não têm vocabulário porque não estão habituados a estudar. Diante disso, a conclusão é que as novas tecnologias são muito boas, mas, se o aluno não estudar e refletir os conteúdos apresentados com recursos maravilhosos, não se lembrará de mais nada em poucos meses. Para que serve essa educação? Estamos enganando eles ou não?
Como devem se portar os professores?
Sem descartar nenhum desses meios, os professores devem estimular a reflexão dos alunos, relacionar matérias, preparar aula. Do contrário, todos esses instrumentos os transformam em papagaios; repetem aulas preparadas nos meios tecnológicos. E, obviamente, continuaremos a identificar as deficiências educacionais de sempre.

Fonte: Gazeta do Povo, 19/06/2012.